O que Deus ajuntou … (l)

Cap. 11 — O pecado de sodomia

James R Baker

Introdução

A palavra “sodomia” é geralmente usada para descrever práticas carnais não naturais, mencionadas pela primeira vez em Gênesis 18 e 19, em relação a Sodoma e Gomorra. Mais especificamente refere-se ao termo mais comum, “homossexualidade”. Veremos mais adiante se estamos certos em igualar estes dois pecados. Encontramos outras referências a este pecado específico em várias partes da revelação progressiva da Bíblia. As referências principais serão consideradas neste artigo.



Referências no VT

Gênesis 19

A primeira menção do desprazer divino contra Sodoma e suas práticas é encontrado em Gênesis, onde lemos: “Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito, descerei agora, e verei se com efeito têm praticado segundo o seu clamor, que é vindo até mim; e se não, sabê-lo-ei” (Gn 18:20-21). Aqui, o pecado de Sodoma é descrito como sendo muito grave e detestável ao coração de Deus. A natureza deste pecado é esclarecida no capítulo seguinte, quando dois mensageiros angelicais visitaram a casa de Ló. Ao chegar à tarde daquele dia memorável, a casa foi cercada pelos homens da cidade, e seu pedido específico e arrogante a Ló foi que ele trouxesse os dois hóspedes para fora: “E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos” (19:5). A expressão “os conheçamos” é vital no contexto do nosso assunto, e seu uso nestes versículos é fundamental para descobrirmos se a palavra “sodomia” é uma descrição correta da palavra moderna “homossexualidade”.

O termo “conhecer” é empregado de um modo muito geral em várias partes da Bíblia, e também em toda a literatura sagrada e profana. Por isso alguns argumentam que a passagem em Gênesis 19 tem sido mal entendida, e usada para criar preconceitos cristãos contra a homossexualidade. Um dos principais protagonistas desta opinião foi Bailey, um estudioso anglicano cujo livro, escrito no início da década de 1950, influenciou a mudança nas leis britânicas em relação a este assunto. Ele afirmou que o acontecimento narrado em Gênesis 19 teria sido um tipo de “estupro em gangue”. De um ponto de vista mais fundamental, ele argumentou que o pedido dos homens de Sodoma para “conhecer” os hóspedes angelicais que estavam na casa de Ló, era meramente no sentido de conhecê-los socialmente. Contudo, dizer isto deste texto revela uma falta de compreensão sobre a clareza das Escrituras. É verdade que a palavra “conhecer” é usada muitas vezes no sentido social de formar amizades, mas há passagens onde o contexto deixa bem claro que tem uma conotação muito diferente. De fato, como os exemplos bíblicos seguintes provam, esta mesma palavra “conhecer” foi usada num sentido bem específico três vezes em Gênesis 4, antes de aparecer nas Escrituras com um sentido geral.

Lemos: “E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu e deu à luz a Caim” (v. 1); novamente: “E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu” (v. 17); também no penúltimo versículo do capítulo: “E tornou Adão a conhecer a sua mulher”. Obviamente, em cada um destes casos, não é mera amizade que está em vista. A palavra fala de um ato de intimidade física entre um marido e sua esposa, que nestes casos resultou no nascimento de filhos. Aqui, então, temos a chave para as palavras dos homens de Sodoma; eles queriam que Ló trouxesse os homens para fora da sua casa para que eles pudessem praticar atos de intimidade física, não naturais, com eles. Este é o grave pecado mencionado por Jeová em Gn 18:20. Evidentemente Ló sabia o que os homens de Sodoma queriam, e na sua grande aflição lhes disse: “Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal; eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado” (19:7-8).

No mesmo tempo em que a obra de Bailey foi publicada, outro escritor chamado Ukleja escreveu:
[…] esta cena em Gênesis 19 fica quase ridícula se Ló, ouvindo que aqueles homens queriam somente conhecer socialmente os hóspedes que estavam na sua casa, dissesse o que lemos em Gn 19:7-8! No v. 8 o mesmo verbo yâda, no particípio negativo, é usado para descrever as filhas de Ló como “não tendo conhecido” um homem. O verbo aqui, obviamente, significa “ter relações sexuais com”, e não pode significar simplesmente “conhecer socialmente”. Em literatura narrativa como esta seria improvável usar o mesmo verbo com sentidos tão diferentes, tão perto um do outro, a não ser que o autor destacasse bem a diferença. Assim, nos vs. 5 e 8 a palavra “conhecer” deve ser entendida como “ter relação sexual com”. O contexto não permite qualquer outra interpretação.
Também é importante notar que Josefo, o historiador judaico secular, se refere a Gênesis 19 e às “práticas sodomitas” comuns em Sodoma naquele tempo. Uma leitura superficial da sua citação revela, com clareza, a sua compreensão da natureza daquilo que estava sendo praticado ali.

O Senhor revela a Sua intolerância do pecado de Sodoma nos acontecimentos que seguiram: “Aqueles homens [os anjos], porém, estenderam as suas mãos e fizeram entrar a Ló consigo na casa, e fecharam a porta; e feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, desde o menor até o maior, de maneira que se cansaram para achar a porta” (19:10-11). O juízo de Deus caiu especificamente sobre aqueles homens que agiram com intento tão mau, mas foi também com vistas à destruição total das cidades envolvidas: “Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo … Então o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra” (19:13, 24). O juízo de Jeová, específico e intenso, foi visto na destruição destas cidades ímpias da planície, e tanto os profetas como também os escritores do NT mencionam este juízo.

Juízes 19

Outro exemplo incontestável do uso específico desta palavra “conhecer” é encontrado num incidente semelhantemente notável e triste, descrito em Juízes 19. Naquele capítulo lemos de um levita, sua mulher e seu servo, que faziam uma viagem e chegaram à cidade de Gibeá, e foram hospedados na casa de um senhor idoso daquela cidade. A narrativa começa com uma cena de hospitalidade oriental normal, que logo foi interrompida dramaticamente: “Estando eles alegrando o seu coração, eis que os homens daquela cidade (homens que eram filhos de Belial) cercaram a casa, batendo à porta; e falaram ao ancião, senhor da casa, dizendo: Tira para fora o homem que entrou em tua casa, para que o conheçamos” (v. 22). Quão grave e triste ver que aqui o pecado de Sodoma estava sendo praticado em Israel por homens ímpios, “filhos de Belial”. Eles estavam agindo exatamente como os homens de Gênesis 19. O fato de que pediram o homem, e não as mulheres, confirma as suas intenções malignas e anormais, e os versículos que seguem comprovam isto: “E o homem, dono da casa, saiu a eles e disse-lhes: Não irmãos meus, ora não façais semelhante mal; já que este homem entrou em minha casa, não façais tal loucura. Eis que a minha filha virgem e a concubina dele, vô-las tirarei fora; humilhai-as a elas, e fazei delas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a este homem não façais essa loucura” (vs. 23-24). Os pecados de Sodoma e Gomorra, que tão cedo na história do mundo receberam o juízo divino, continuavam 1.800 anos depois; e mais lamentavelmente ainda, estavam sendo praticados numa cidade ocupada pela tribo de Benjamim. O povo escolhido de Deus se tornou moralmente contaminado, chegando ao mesmo nível desnatural dos gentios ao seu redor. Assim podemos ver que depois da queda, com o passar do tempo, o pecado, em todas as suas formas pervertidas, estava se espalhando pela raça humana.

Levítico 18

Já estava registrado em Gênesis 19 que Deus revelara a Sua repugnância pela prática de sodomia muito antes de a Lei ser dada, e Ele tinha também derramado o Seu juízo contra aquelas duas cidades, porque continuaram no seu pecado. Mal sabiam aqueles homens de Sodoma que os próprios homens que eles desejavam para seus propósitos ímpios seriam o instrumento usado para trazer cegueira e destruição sobre eles e sobre as suas cidades.

Agora, ao considerarmos a era em que a Lei de Deus foi dada, vemos que esta conduta imoral no Seu povo redimido era totalmente inaceitável a Jeová. O que Deus já tinha revelado como detestável, pelos Seus atos e Sua atitude de juízo, agora é estabelecido na Sua Santa Escritura como uma transgressão da Sua Lei. No começo deste capítulo lemos: “Não fareis segundo as obras da terra do Egito, em que habitastes, nem fareis segundo as obras da terra de Canaã, para a qual vos levo, nem andareis nos seus estatutos” (Lv 18:3). Eles deveriam ser um povo separado e santo. Quando chegamos ao assunto específico de sodomia, lemos: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é” (18:22); também lemos: “Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles” (20:13). Aqui vemos, com clareza, que esta prática foi declarada pelo Criador como anormal, impura e contra o mandamento de Deus e, por isto, é chamada de abominação. Também lemos nos livros da Lei: “Não haverá prostituta dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel” (Dt 23:17). Na consideração destas passagens do VT, podemos ver como Jeová declara ao Seu povo, com grande clareza, que esta atividade anormal e carnal era detestável a Ele e totalmente proibida entre o Seu povo Israel. Esta é a afirmação da Lei de Deus sobre este assunto.

Apesar de tudo isso, surgiram argumentos procurando diluir estas claras afirmações divinas. Alguns dizem que o tema destas passagens é apenas a pureza ritual, e não a justiça de Deus. Querem dizer com isto, que estas passagens não condenam a homossexualidade em si, mas a identificação, por Israel, com as práticas religiosas das nações ao seu redor. Dizem que a questão é de identidade religiosa e não da justiça de Deus. Citamos Ukleja, que diz:
Contudo, este tipo de argumento tem grandes falhas. Em primeiro lugar, falha ao supor que a pureza ritual e a pureza moral estão sempre separadas. Aqueles que usam este argumento dizem que os capítulos 18 e 20 de Levítico não tratam de ética ou moralidade. Mas, se fosse assim, teríamos de concluir que adultério também não é imoralidade (Lv 18:20); e também que o sacrifício de crianças não tem implicações imorais (18:21), e que não há nada de errado com bestialidade (18:23). A verdade é que a pureza ritual e a pureza moral, muitas vezes, andam juntas.
Além deste comentário útil, devemos notar atentamente que todo o conteúdo da apresentação de verdades nestas partes da lei é baseada firmemente na justiça de Deus, que Ele deseja que seja refletida nos Seus redimidos. Entremeio as passagens que temos considerado em Levítico 18 e 20 estão as palavras: “Falou mais o Senhor a Moisés, dizendo: Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (19:1-2). Estas palavras não foram faladas apenas aos sacerdotes, mas a toda a congregação de Israel. Portanto, temos aqui, dentro do contexto da lei moral dada a Israel, ensino claro sobre o mal de sodomia e sobre o juízo de Deus contra este pecado.

A intenção divina no matrimônio original

Antes de deixar a nossa consideração sobre as referências do VT em relação a este assunto, é importante lembrar que estas passagens estão em pleno acordo com o propósito divino, revelado desde o princípio, para conservar tanto a santidade do matrimônio como da família. Estes princípios estabelecidos desde o começo de Gênesis são o alvo dos ataques satânicos hoje em dia. Vamos orar para que Deus possa guardar e promover estas verdades em nossos dias.

Referências à Sodomia no NT

Romanos 1

Um esboço geral da epístola aos Romanos já foi dado (veja o cap. 4). Olhando agora para Romanos 1 vemos, nos vs. 1-17, o assunto do Evangelho de Deus e depois, do v. 18 em diante, o início de uma parte sobre a culpa do homem que continua até 3:20. Nos vs. 18-32 o apóstolo trata de dois assuntos específicos:
  • A rejeição do testemunho de Deus na Criação, pela humanidade;
  • A reação de Deus à desobediência da humanidade.
Nesta passagem vemos a revelação da ira de Deus contra o homem por causa da sua impiedade e injustiça. Homens na sua injustiça subjugaram a verdade a eles revelada. A Criação original é o meio usado pelo Deus invisível para revelar a Sua existência e poder. Sem entrar em detalhes, podemos ver que o argumento revela que desde o princípio o homem tem rejeitado este testemunho de Deus de Si mesmo e que, por isto, Deus agora considera o homem sem desculpa. Deus sabe que o homem tem ouvido e entendido o Seu testemunho divino, mas o tem rejeitado. Os versículos que seguem mostram que a humanidade, pelo menos de três maneiras, agiu em rejeição, e como consequência disto, Deus os entregou aos seus pecados.

Em primeiro lugar lemos que “mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível” (v. 23); isto é, fizeram ídolos. E a resposta divina foi: “Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações” (v. 24). Depois: “mudaram a verdade de Deus em mentira”, isto é, adoraram a criatura e não o Criador (v. 25). E a segunda resposta divina foi: “Por isso Deus os abandou às paixões infames” (v. 26). A terceira coisa foi que “eles não se importaram de ter conhecimento de Deus”, isto é, não tinham lugar nos seus pensamentos para Deus. Temos a resposta divina final no v. 28: “assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém”. Podemos resumir estes três passos da seguinte maneira:




Podemos ver que os vs. 24-28 são uma contribuição doutrinária importante para o nosso assunto. A rejeição, por parte do homem, do fato e existência de Deus lhe dá um sentimento falso de estar livre de qualquer responsabilidade ao Criador divino que está sobre tudo. Também lhe dá uma impressão falsa de liberdade moral perante o mesmo Deus Criador. Os pecados mencionados aqui têm marcado a humanidade desde a queda, e estão muito presentes hoje. Agora devemos considerar a que Deus os entregou.

Às concupiscências (vs. 24-25)

Como já notamos, o homem conheceu a Deus desde o princípio, e a Sua glória foi especificamente revelada na Criação. Aqui aprendemos que embora conscientes desta glória do Deus incorruptível, eles se desviaram dEle e mudaram o alvo da sua adoração em imagens corruptíveis, feitas pelas suas próprias mãos, na forma de homens e aves e animais, e assim se tornaram idólatras. A idolatria sempre traz imoralidade, pois a condição moral do homem sempre será um reflexo do caráter do deus que ele adora. Deus os dera a capacidade de escolha moral, e eles escolheram seguir os desejos dos seus corações, portanto Deus os entregou às suas concupiscências. O resultado naquele tempo, e hoje, é visto ao desonrarem os seus corpos entre si. O mesmo princípio é visto nas palavras de Estêvão: “E naqueles dias fizeram o bezerro, e ofereceram sacrifícios ao ídolo, e se alegraram nas obras das suas mãos. Mas Deus se afastou e os abandonou a que servissem ao exército do céu” (At 7:41-42). A adoração da criatura se refere não somente ao ato de prostrar-se perante um ídolo, mas também às práticas ímpias das “paixões infames” que vamos considerar agora.

Às paixões infames (vs. 26-27)

Vemos, claramente, a progressão moral decrescente no desenrolar desta passagem. “A verdade de Deus” refere-se à verdade da existência do Deus verdadeiro em contraste com os deuses da idolatria. A “mentira” mencionada é a apresentação daqueles deuses feitos pelos homens como se fossem o verdadeiro Deus. Bruce, no seu comentário, faz aqui um paralelo entre esta mentira e a mentira do homem do pecado em II Ts 2:9-12. É verdade que no dia futuro, mencionado por Paulo em Tessalonicenses, o homem do pecado fará sinais e prodígios de mentira para enganar a nação de Israel a aceitá-lo como o verdadeiro Cristo: “E com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira” (II Ts 2:10-11). Aqui vemos que, no final, a atitude dos homens será exatamente como foi no princípio, e que a resposta de Deus também será a mesma. E assim Deus os abandonou às suas paixões infames. Este é o âmago da passagem, que revela a profundidade da iniquidade descrita. Aqui a referência é especificamente às “suas mulheres”, que são mencionadas primeiro, na prática de mudar o uso natural naquele que é contra a natureza. A próxima expressão (“semelhantemente também os homens”) revela que ambos os sexos estavam envolvidos em várias formas anormais de atividade sensual depravada. Ambos são descritos como mudando, ou deixando, “o uso natural” e de “se inflamar em sua sensualidade uns para com os outros”. Kelly diz o seguinte:
Nesta descrição gráfica e sombria deste quadro humilhante … o vaso mais fraco vem primeiro, porque ali a falta de vergonha humana estava mais evidente, e a perversidade humana foi provada mais completa e sem esperança. O apóstolo, na língua original, nem condescende em chamá-los de mulheres e homens, mas de “fêmeas” e “machos”, indicando que eram até inferiores aos animais, abandonados por Deus, e mesmo agora recebendo a recompensa que convinha aos seus feitos.
Aqui, então, temos a descrição e a condenação de Deus da sodomia. Os governos humanos, em vários lugares, têm legalizado aquilo que ainda é sujeito ao juízo presente e futuro de Deus.

A um sentimento perverso (vs. 28-32)

Cada uma das três afirmações de Deus os entregar ou abandonar é em resposta a três áreas morais nas quais eles já tinham abandonado a Deus e o domínio próprio que vem do temor de Deus. Cada passo em declive, destacado na passagem, demonstra o espírito rebelde do ser humano. Devemos notar que ao abandoná-los, Deus não desejava, nem os estava encorajando a fazer as coisas vis mencionadas; Ele também não cessou de condenar os seus atos.

Aqui vemos que “não se importaram de ter conhecimento de Deus”. Excluir Deus dos seus pensamentos combinou com o seu estilo ímpio de vida. Por isso “Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm”. A palavra “perverso” aqui significa “sem juízo ou discernimento”. A melhor explicação disto está no v. 32, que vem logo depois de uma lista detalhada de coisas que caracterizaram estas pessoas após serem entregues por Deus. Mesmo sabendo que estas coisas merecem o juízo de Deus, eles continuaram com suas práticas terríveis, e achavam prazer em outros que também as praticavam.

Esta passagem notável de Romanos 1 nos dá, em detalhes, a história da condição imoral da raça humana desde o princípio, e as mesmas características aqui descritas estão muito em evidência nos nossos dias. Nas partes do mundo onde o Evangelho de Jesus Cristo tem sido pregado e muitas almas salvas, há um certo controle, mas a Bíblia revela que o seu auge final será alcançado quando o homem do pecado aparecer, e chegará ao seu fim quando o Filho de Deus voltar ao mundo em poder e glória.

I Coríntios 6

Vamos considerar apenas os vs. 9-11, onde o apóstolo fala daqueles que não herdarão o reino de Deus. Eles são chamados de “os injustos”. Nesta classe estão incluídos os “adúlteros”, “efeminados” e “sodomitas”.

Adúlteros. Estes são os que, tendo se casado ao fazerem os seus votos solenes na presença de Deus, poluíram e violaram o seu casamento por terem entrado em outro relacionamento físico e íntimo com uma pessoa, que não é seu marido ou esposa. Esta prática é agora tão comum na nossa sociedade que é considerada, por muitos, como um comportamento normal.

Efeminados. Estes são homens que vivem e agem como mulheres. J. N. Darby traduz: “aqueles que se fazem mulheres”, e W. Kelly: “aqueles que se abusam como se fossem mulheres”. Novamente vemos, hoje em dia, que toda a distinção clara entre os dois sexos está sendo cada vez mais corroída.

Sodomitas. Esta é uma referência clara ao pecado tratado neste artigo. Refere-se a Lv 18:22; 20:13 e I Tm 1:10.

Todos estes pecados estão classificados entre aqueles que caracterizam os homens e mulheres que não herdarão o reino de Deus, mas que estarão sujeitos ao juízo de Deus. Muitos dos coríntios tinham praticado estes pecados mas, agora, depois da sua salvação, as suas vidas eram diferentes.

I Timóteo 1

Paulo está escrevendo a Timóteo sobre ensinadores que andavam entre as igrejas locais querendo fazer com que os santos voltassem a guardar a lei. Embora reprovando tais homens, ele mostra que a lei em si é boa, pois é o meio pelo qual o pecado é reconhecido, e o padrão pelo qual o pecado é julgado.

É neste ponto que, incluído numa lista que descreve muitas formas de males, encontramos mais uma menção dos “sodomitas” (v. 10). Assim, temos aqui novamente o assunto que estamos considerado, e este pecado aparece, novamente, entre os pecados que caracterizam os injustos e obstinados, os ímpios e pecadores e profanos. Enquanto seja verdade que a companhia em que um homem anda nem sempre o corrompe, frequentemente revela o que ele realmente é. Aqui encontramos o pecado de homossexualidade onde ele realmente pertence. A Bíblia não fala deste pecado como sendo uma fraqueza física, e também não há nenhuma evidência bíblica para culpar influências genéticas.

O propósito de Deus para o corpo do salvo

Muitos lugares nas Escrituras revelam vários aspectos de ensino sobre as distinções entre os componentes físicos e espirituais do corpo humano. Bem cedo na história do testemunho cristão surgiram grandes diferenças de opinião, e aqueles que defendiam extremos errôneos começaram a propagar o seu ensino, e as epístolas foram escritas para corrigir tais ensinos. Um extremo ensinado era que o corpo deveria ser tratado com grande severidade, até ao ponto de negar-lhe o alimento normal e sujeitá-lo a um nível anormal de abuso físico. O outro extremo ensinava que todos os desejos do corpo, até os sensuais, deveriam ser atendidos. Estes ensinadores usavam muito o lema: “Os alimentos são para o estômago e o estômago para os alimentos” (I Co 6:13).

Esta situação foi usada pelos apóstolos para ensinar os novos convertidos sobre o uso correto do corpo. Por exemplo, em Colossenses 2 achamos instruções quanto ao uso correto do corpo: “Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas de homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne” (Cl 2:20-23). No capítulo seguinte aprendemos que há certos aspectos de atividade física do corpo que precisam ser controladas na vida do salvo; somos incentivados a “mortificar” certos males corporais e a nos “despojar” deles (veja Cl 3:5, 8). Em outras partes recebemos também ensinos positivos que nos ajudam a entender que o corpo do salvo é a habitação de Deus: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (I Co 6:19-20), e “rogo-vos, pois irmãos pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12:1). A conclusão deste ensino é que o corpo de cada salvo é um santo templo onde o Espírito Santo habita, e que esta verdade deve ser demonstrada através de um viver santo e uma devoção no serviço de Deus.

Uma igreja local pode receber na comunhão um homossexual praticante?

Ao traçar o pecado de sodomia desde a sua origem, chegamos à conclusão que é algo detestável a Deus. Historicamente, temos visto que foi condenado e julgado por Deus, e descrito como uma abominação ao Senhor. Também, temos aprendido que é uma evidência do estado não regenerado da humanidade, e que quando alguém crê em Cristo este estado e posição mudam porque, como filho de Deus, ele é lavado, santificado e justificado. Também, vemos claramente que o corpo do salvo é um templo onde o Espírito Santo de Deus habita.

A comunhão numa igreja local é completamente incompatível com esta atividade pecaminosa. Uma vez que este pecado for descoberto na igreja local, haverá o reconhecimento de que há “fermento” na massa (I Co 5:6-7). Uma situação como esta precisa ser remediada, e aprendemos como fazer isto neste mesmo capítulo de I Coríntios. Obviamente, isto deve ser acompanhado de profunda tristeza, e com o desejo sincero da recuperação espiritual daquele que pecou.

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