A Terra: velha, ou nova e cansada?

O texto abaixo é um dos capítulos do livro “E Disse Deus…”, de autoria do dr. Farid Abou-Rahme, publicado pela Editora Sã Doutrina. [comprar]


“O Senhor que tem criado os céus, o Deus que formou a terra, e a fez; Ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada” (Isaías 45:18).

Se qualquer crente ou estudioso da Bíblia fosse perguntado, no século passado, qual era a idade da Terra, sem muita hesitação ele teria dado um número inferior a 10.000 anos. Se a mesma pergunta fosse feita hoje, a maioria dos crentes daria um número variando entre milhares e bilhões de anos. O responsável por esta confusão é principalmente a teoria da Evolução e uma confiança abalada na Palavra de Deus.



No que diz respeito aos cristãos, não é preciso preocupar-se ou entrar em pânico. A Bíblia é a Palavra perfeita de Deus, e os evolucionistas não têm nenhuma base para as suas datas a não ser o fato de que precisam desesperadamente dos bilhões de anos para dar à evolução uma oportunidade de acontecer!
As datas que ouvimos diariamente são obtidas por métodos radiométricos de datar. Tais métodos encontram problemas científicos e são baseados em suposições que são modificadas para encaixar com o pensamento evolucionário e a escala de tempo exigida pela teoria.

A Bíblia diz-nos claramente que a morte não existia antes que Adão pecasse. Consequentemente, não há nenhuma maneira pela qual os cristãos podem aceitar uma conciliação e colocar bilhões de anos entre Gênesis 1:1 e 1:2. Esta idéia foi sugerida como uma solução formulada devido ao pânico, por cristãos que pensavam que a teoria da evolução era baseada em fatos científicos. Entretanto, a Palavra de Deus afirma que quando Deus concluiu o Seu trabalho na Criação, Ele disse que tudo era muito bom. Morte e decomposição entraram depois que a Criação estava completa. Portanto, o crente não pode aceitar fósseis com datas anteriores a este trabalho de criação, isto é, com mais que 10.000 anos de idade.

Não podemos ler para nossos filhos contos sobre dinossauros que supostamente morreram 70 milhões de anos antes que o homem aparecesse em cena, e depois esperar que eles acreditem na Bíblia que ensina que Deus criou o homem e o dinossauro no mesmo dia. Devemos tratar este assunto com muita seriedade, pois seríamos responsáveis perante o Senhor por enganar almas jovens preciosas se tentarmos conciliar a Bíblia com a evolução.

A conciliação torna-se ainda mais impossível quando descobrimos, de Gênesis, que Deus criou o Sol e as estrelas no quarto dia, fazendo-as mais novas do que a Terra. Para os evolucionistas, é necessário que o Sol exista primeiro para começar o processo da evolução. Deus decidiu a ordem da Sua Criação: “… responde-me. Onde estavas tu, quando Eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência” (Jó 38:3-4).

É a partir deste ponto de vista que olharemos à evidência científica de uma Terra nova, para que possamos responder a todos aqueles que nos perguntarem sobre a nossa fé, pois “a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17).

De acordo com a evolução, a Terra é muito velha. A última estimativa dos evolucionistas para a idade da Terra é 4,5 bilhões de anos. Os métodos mais usados para datar são os métodos radiométricos. Para rochas mais velhas, usa-se os sistemas urânio-tório-chumbo e potássio-argônio. Para amostras mais novas, como artefatos arqueológicos, o método do carbono-14 é usado.

A base destes métodos é que alguns elementos são radiativos e com o passar do tempo eles desintegram-se e transformam-se em outros elementos: o urânio desintegra-se em tório, e este desintegra-se em chumbo. Então, tomando uma amostra de qualquer rocha, os cientistas medem a quantidade de chumbo que ela contém e, conhecendo a velocidade de desintegração do urânio, calculam a idade da rocha.

Há várias suposições envolvidas neste processo:
  • Em primeiro lugar, supõe-se que a velocidade de desintegração sempre foi constante, mas pesquisas modernas mostram que não é. Na maioria dos casos a desintegração é rápida no começo e depois torna-se mais lenta. Vários fatores podem ter mudado a velocidade da desintegração durante os milhares de anos passados. Um destes fatores importantes poderia ter sido uma mudança traumática no meio ambiente, no passado, como o dilúvio catastrófico nos dias de Noé.
  • Em segundo lugar, supõe-se que a quantia inicial do elemento paterno (o primeiro elemento na corrente) é conhecida, mas não o é; é principalmente conjetura. Por exemplo, nós não sabemos a quantidade de urânio que a rocha original continha e nem quanto chumbo já existia na rocha.
  • Em terceiro lugar, supõe-se que o sistema sendo estudado é um sistema isolado. Isto significa que o chumbo, no nosso exemplo, veio unicamente do urânio e isto resulta em idades muito elevadas. O Dr. Melvin Cook, ganhador do prêmio Nobel por suas pesquisas neste campo, descobriu que o chumbo não vem unicamente do urânio, como se supunha, e ele aplicou uma reação de nêutrons para corrigir o método de datar. Uma rocha Cambriana datada como tendo 600 milhões de anos deu um resultado de alguns milhares de anos quando esta correção foi aplicada ao método [1].
Mesmo com todas as suposições no seu devido lugar, métodos radiométricos de datar aplicados à mesma rocha têm dado respostas que variam em centenas de milhões de anos. Os evolucionistas escolhem os números que combinam com a sua idéia preconcebida da idade da rocha em estudo. Isto foi mostrado por vários evolucionistas, como W. Stansfield, que escreveu:

“É óbvio que os métodos radiométricos de datar talvez não sejam tão confiáveis como muitas vezes se afirma. Cálculos da idade de uma mesma camada geológica obtidos usando métodos diferentes são muitas vezes muito diferentes … Não existe nenhum relógio radiológico de longo alcance absolutamente confiável” [2].

Uma pesquisa recente, realizada pelo Dr. S. Austen sobre a lava no Grand Canyon, foi apresentada em Outubro de 1992 em uma reunião da Sociedade Geológica da América. Austen mostrou que escoamentos recentes de lava possuem variações sistemáticas nos coeficientes isótopos que têm sido desconsideradas nos métodos radiométricos de datar. Tais variações, se desconsideradas, indicariam a idade como sendo bilhões de anos! [3].

O método potássio-argônio é bem conhecido pelos seus resultados inconsistentes. Basta mencionar que quando este método foi aplicado a rochas vulcânicas cuja idade de 200 anos era conhecida através do registro histórico, ele indicou valores variando entre 22 milhões e 200 milhões de anos. Assim, vemos que os milhões de anos de que os evolucionistas falam, e querem que as pessoas aceitem como fato, simplesmente não são a verdade.

O famoso método de carbono-14 tem uma suposição a mais além das que foram mencionadas para os outros métodos radiométricos de datar. É que o carbono-14 já atingiu um estado de equilíbrio. Em outras palavras, supõe-se que a taxa de produção do carbono-14 é igual à velocidade de sua desintegração. Para que tal estado seja alcançado, é preciso 30.000 anos desde o começo da atmosfera, e como os evolucionistas falam em bilhões de anos, eles supõem que o estado de equilíbrio já foi alcançado. Mas estudos modernos (até mesmo pelo Dr. Libby [4], que descobriu o método) mostram que o equilíbrio ainda não foi alcançado, e que a formação é ainda pelo menos 24% maior que a desintegração [5]. Dois efeitos importantes deste resultado podem ser resumidamente destacados:
  • Em primeiro lugar, todas as datas obtidas por este método agora exigem reajustes, e estes reduzem as datas dramaticamente. Vários exemplos foram registrados no jornal Radiocarbon, tais como carvão da Rússia, que supostamente tinha 300 milhões de anos, foi redatado como tendo 1.680 anos! [6].
  • Em segundo lugar, a partir das medidas do estado de equilíbrio do C14, os cientistas puderam calcular um limite máximo aproximado para a idade da atmosfera, e descobriu-se que a idade máxima da atmosfera é 10.000 anos. Como não podemos imaginar uma Terra sem atmosfera, a idade da Terra tem um limite máximo de 10.000 anos, em conformidade com o que Deus revelou sobre a Criação.
Também é interessante mencionar que um grupo de cientistas nos Estados Unidos datou a concha de um caracol vivo usando o método do carbono-14. O resultado foi que o caracol vivo tinha 27.000 anos de idade! [7].

Num artigo que apareceu no Anthropological Journal of Canada, sob o título Radiocarbon, Ages in Error (Radiocarbono, Idades em Erro), Robert Lee expõe a verdade da questão:

“Os problemas do método radiocarbono de datar são inegavelmente sérios e profundos … não é surpreendente, portanto, que metade das datas são rejeitadas. É estranho, certamente, que a outra metade é aceita.” [8].

Num simpósio sobre a pré-história, o Professor Brew resumiu com as seguintes palavras a atitude normal entre os arqueólogos com o método de datar com C14:

“Se uma data do C14 apoia nossas teorias, colocamo-la no texto principal. Se ela não contradiz totalmente as nossas teorias, colocamo-la numa observação no rodapé. E se ela estiver completamente contra as nossas teorias, simplesmente omitimo-la” [9].

Dr. John Eddy, um astro-geofísico, fez o seguinte comentário num relatório publicado no Geotimes de Setembro de 1978:

“Não há evidência, baseada unicamente em observações solares”, afirmou Eddy, “que o Sol tenha entre 4,5 a 5 x 109 anos de idade. Eu desconfio”, ele disse, “que o Sol tem 4,5 bilhões de anos. Entretanto, diante de alguns resultados novos e inesperados que indicam o contrário, e tendo algum tempo para recálculos urgentes e reajustes teóricos, eu penso que poderíamos viver com a estimativa que o Bispo Ussher deu para a idade da Terra e do Sol. Na minha opinião, não temos muito no que diz respeito a evidência observacional na astronomia para divergir desse valor.” [10]

O tempo para recálculos urgentes é agora! É tempo de rever todas as idéias preconcebidas sobre a evolução com que temos sido bombardeados desde a nossa infância. A Bíblia diz-nos: “se ouvirdes hoje a Sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hebreus 3:7-8) e “eis aqui agora o tempo aceitável” (II Coríntios 6:2).

Há tantas maneiras de avaliar a idade da Terra e todas dão resultados semelhantes àqueles revelados na Criação. Elas são rejeitadas pelos evolucionistas, pois se a Terra é tão nova assim, então a evolução nunca poderia ter ocorrido. Alguns destes métodos são:
  • Toda a história registrada e todas as civilizações do mundo voltam, no máximo, 6.000 anos. Não é isto estranho se o homem, de acordo com a evolução, já existe há mais de 1.000.000 de anos ? [11]
  • As árvores vivas mais velhas no mundo, datadas corretamente através do crescimento anual de anéis do caule, têm entre 4.000 e 5.000 anos de idade, em harmonia com a data do Dilúvio no modelo da Criação. [12]
  • A população atual do mundo (cerca de 6 bilhões de pessoas) está em harmonia com a data do Dilúvio. Se começarmos com as 8 pessoas que saíram da Arca e aplicarmos um fator de crescimento de 2,5 filhos por família (menor do que a taxa atual), chegaremos à população atual em cerca de 4.300 anos, que nos leva de volta aos dias de Noé. Mas se tomarmos a mesma taxa de crescimento e a aplicarmos à apenas meio milhão de anos de evolução do homem, não haveria lugar suficiente na superfície do nosso planeta para conter o número de pessoas. [13]
  • O Dr. Barnes, da Universidade do Texas, estudou a velocidade de deterioração do campo magnético da Terra, usando dados registrados por cientistas durante os últimos 300 anos. Ele descobriu que, se voltássemos mais do que 20.000 anos, o calor das correntes produzindo o campo magnético seriam tão fortes que teriam separado o núcleo da Terra da sua crosta. [14]
  • Outra medida para a idade da Terra vem da Lua. Quando as naves espaciais pousaram na Lua, os evolucionistas esperavam que as naves afundariam na camada de poeira meteórica que deveria ter acumulado na superfície da Lua ao longo da sua suposta idade de bilhões de anos. Eles calculavam que esta camada teria pelo menos 16,5 metros de profundidade. Para o seu desapontamento, porém, quando a Luna pousou a leitura mais elevada que forneceu foi menor do que 0,5 metro, mostrando que a Lua também é nova. [15]
Outros métodos que calculam a idade da Terra [16] como inferior a 10.000 anos, em conformidade com Gênesis, são:
  • Eflúvio de hélio para a atmosfera;
  • Desintegração do carbono-14 em madeira pré-Cambriana;
  • Crescimento de recifes de corais ativos;
  • Desintegração de cometas de curto prazo;
  • Formação de deltas fluviais;
  • Influxo de níquel, silício, chumbo, alumínio, cromo, manganês, e outros elementos aos oceanos através dos rios.
Devemos levar a sério o livro de Gênesis. A Bíblia não fornece datas exatas para a Criação, mas todas as datas precisam ser inferiores a 10.000 anos, e isto é confirmado pela ciência. A ciência verdadeira, quando examinada por aqueles que não sofreram uma lavagem cerebral pela evolução, concorda com Gênesis que a Terra é nova mas está cansada. “Toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora” (Romanos 8:22).


Referências
  1. Cook, M. Prehistory and Earth Models, Max Parish, Londres, 1966.
  2. Stansfield, M. The Science of Evolution, MacMillan, New York, 1977, págs. 80-84.
  3. Austen, S. “Isotope and Trace Element Analysis of Hyperthene- Normative Basalts from the Quaternary of Uinkaret Plateau, Western Grand Canyon, Arizona”, papel apresentado à Sociedade Geológica da América, 1992.
  4. Libby, W.F. Radiocarbon Dating, University of Chicago Press Chicago, 1955, pág. 7.
  5. Milton, R. The Facts of Life, Corgi Books UK, 1992, págs. 45-49.
  6. Radiocarbon, Vol. 8 (1966).
  7. Science, Vol. 224 (1984), págs. 58-61.
  8. Robert Lee, “Radiocarbon, Ages in Error”, Robert Lee, Anthropological Journal of Canada, Vol.19, n. 3, pág. 9.
  9. Olsson, I.U.“C14 Dating and Egyptian Cronology” , Proceedings of the Twelfth Nobel Symposium, John Wiley and Sons Inc., New York, 1970, pág. 35.
  10. Kazman, R.G. “It's about time: 4.5 billion years”, Geotimes, Vol. 23, Setembro de 1978, pág. 18. Citando o Prof. Brew.
  11. Morris, H.M. Scientific Creationism, Creation Life Publishers, San Diego, Califórnia, 1980, págs. 191-193.
  12. Morris, H.M. The Biblical Basis for Modern Science, Baker Book House, Michigan, 1993, págs. 449-453.
  13. Ibid., págs. 414-426.
  14. Barnes, T.G. Origin and Destiny of the Earth's Magnetic Field, Institute for Creation Research, San Diego, 1973, pág. 25.
  15. Whitcomb, J.C. e DeYoung, D.B. The Moon. Its Creation, Form and Significance, Baker Book House, Grand Rapids, Michigan, 1978, págs. 94-95.
  16. Morris, H.M. e Parker, G.E. What is Creation Science? Master Books, El Cajon, USA, 1987, págs. 288-291

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