| Teu Servo Ouve - Parte I |
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| Autoria / Fonte: Adriano Anthero |
| Ter, 17 de Fevereiro de 2009 09:46 |
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As palavras acima são bem conhecidas. Elas foram ditas por Samuel, um dos grandes profetas que Deus usou no passado. Mas embora sejam bem conhecidas, nem sempre paramos para analisá-las de perto. Nestes estudos, vamos considerar três verdades importantes sobre essas palavras: o ambiente (onde foram ditas), a ocasião (em que foram ditas) e as palavras (propriamente ditas). Neste primeiro estudo, veremos o ambiente. O ambiente (onde foram ditas)Um ambiente pode influenciar, e muito, no comportamento e nas palavras das pessoas. Por exemplo, viver no meio dos ímpios, onde os conselhos são maus e a conversa não edifica, pode levar alguém a uma conduta errada. Davi falou: “Não me tenho assentado com homens vãos, nem converso com homens dissimulados. Tenho odiado a congregação de malfeitores; nem me ajunto com os ímpios” (Sl 26:4, 5; compare com 1:1; Pv 1:10-19). Ele sabia que o ambiente dos ímpios poderia influenciá-lo a afastar-se de Deus, por isso evitava-o. É verdade que há exceções, mas normalmente um ambiente mal conduz as pessoas a condutas erradas. A situação de Samuel, porém, ensina uma verdade diferente da que vimos acima. A lição que é apresentada aqui é que mesmo um lugar santo pode ser transformado em um ambiente profanado. E se isso, infelizmente, vir a acontecer no lugar onde estamos, ou na igreja onde reunimos, aprendemos com Samuel qual o comportamento que Deus espera de nós nessa situação. O lugarO lugar onde Samuel se encontrava quando disse “teu servo ouve” tinha tudo para ser o melhor dos lugares e o mais agradável dos ambientes. Ele morava com Eli, num quarto, junto ao Tabernáculo. O lugar era onde se adorava a Deus — um lugar santo — e era ali que estava a arca do concerto do Senhor, figura da Sua presença. Olhando por esse ângulo, podemos pensar que Samuel vivia no melhor lugar possível, o que não deixa de ser verdade. No entanto, o ambiente deste lugar santo estava sendo corrompido. No mesmo lugar onde Samuel vivia os filhos de Eli, Hofni e Finéias, serviam como sacerdotes. Estes homens cometiam toda sorte de pecados, não respeitando o lugar, as ofertas, o povo, as mulheres e, principalmente, “não conheciam o Senhor” (I Sm 2:12-17, 22). Infelizmente, era no lugar onde a santidade e a adoração deveriam ser notadas que “era, pois, muito grande o pecado destes moços perante o Senhor, porquanto os homens desprezavam a oferta do Senhor”. Aquele lugar que antes havia sido marcado pela reverência a Deus por causa da Sua presença ali, agora estava sendo marcado pelo desprezo das coisas santas. Quando as pessoas iam até Siló para apresentar as suas ofertas ao Senhor, não encontravam mais um ambiente digno do Deus Santo. Ao contrário. Encontravam dois sacerdotes que estavam profanando o ambiente por ali. Era do conhecimento de todos que os sacerdotes (sendo, pelo menos um deles, casado; I Sm 4:19) constantemente se prostituíam com as mulheres que em bando se ajuntavam na porta do Tabernáculo (I Sm 2:22). O triste resultado para tanta irreverência foi que “os homens desprezavam a oferta do Senhor”. Já não havia mais a mesma satisfação em se adorar a Deus. O ambiente se tornara num “covil de salteadores”, pois os sacerdotes, ao contrário de adquirir legalmente o alimento, tomavam à força do povo. É provável que tenha sido por isso que o povo começou a se afastar de Deus. O próprio Eli reconheceu isso dizendo: “fazeis transgredir o povo do Senhor” (I Sm 2:24). Poucos ainda se mantinham fiéis indo anualmente a Siló (como os pais de Samuel), mas a maioria já havia abandonado aquele lugar de adoração. No Salmo 78, Asafe lembra como desde a saída do Egito até a época de Davi o povo tinha pecado contra o Senhor. Mas quando é descrita a situação de Israel na época do sacerdócio da casa de Eli, Asafe diz que eles provocaram a ira de Deus “com as suas imagens de escultura” (v. 58). Não é difícil imaginar que em pouco tempo o povo estaria fazendo imagens para adorar. Como estavam desprezando a oferta do Senhor, logo seriam seduzidos a se prostrarem diante de imagens. Deus não estava mais recebendo a honra devida ao Seu Nome. Ele estava sendo desprezado (I Sm 2:30). Por esse motivo, Deus também “desamparou o Tabernáculo em Siló” (Sl 78:60). Com isso, o ambiente se tornou ainda pior. Mesmo com toda formalidade presente, Deus não estava mais ali. Que ambiente desfavorável se tornou aquele! O lugar santo agora era um ambiente profanado (pelos homens) e abandonado (por Deus)! Samuel e seu ambienteOlhando com olhos humanos, Samuel, que era ainda muito jovem no meio de tanta coisa vergonhosa (I Sm 2:18; 3:1), tinha motivos de sobra para se queixar e viver uma vida de pecados, como os sacerdotes. Se fosse o caso, ele poderia ter sido o primeiro a dizer: “Os outros fazem pior do que eu”. No entanto, ele não julgou pelos pecados dos outros. Ele sabia que o fato de outros pecarem não justificaria o seu próprio pecado diante de Deus. Ao contrário. Lemos constantemente de como ele servia e crescia diante do Senhor. Os filhos de Eli transformaram aquele lugar santo num ambiente profanado, mas é neste ambiente profanado que ouvimos as palavras do jovem Samuel: “Fala, porque o teu servo ouve”. A situação de Samuel pode ser contrastada com a de Adão. O primeiro homem criado por Deus vivia num ambiente totalmente favorável para se adorar e servir ao Criador. Deus se fazia presente no Éden, e Adão podia constantemente ouvir a Sua voz (Gn 2:8; 3:8). Era um ótimo ambiente! O homem, porém, escolheu desobedecer e pecar contra Deus. Por outro lado, Samuel vivia num ambiente totalmente desfavorável. Deus já não estava mais em Siló (embora isso não nega a Sua onipresença), e a Sua voz era pouco ouvida (I Sm 3:1). A vida dos sacerdotes era uma má influência. Era um péssimo ambiente! Samuel, porém, escolheu obedecer e ser fiel ao Senhor. Nossa responsabilidadeEsta atitude exemplar de Samuel soa aos nossos ouvidos como uma verdade que não podemos negar. Mesmo o mundo sendo um ambiente tão longe daquele que Deus criou não podemos nos esconder atrás da desculpa que “todo mundo erra”. É verdade que todos somos passivos de pecar, mas isso não justifica que um cristão possa viver no pecado. Não podemos tomar a forma deste mundo. Deus espera que nos transformemos pela renovação do nosso entendimento a fim de experimentarmos “qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12:1, 2). O Tabernáculo era o lugar da habitação de Deus na época de Samuel. Era uma tenda simples, por fora, mas muito preciosa e cheia de significados, por dentro. Tudo ali apontava para uma Pessoa: Cristo. Não precisamos entrar em detalhes quanto aos usos e costumes nesse lugar, mas nos interessa saber que era nessa tenda, no lugar santíssimo, que estava à arca de Deus, símbolo da Sua presença. A casa de Deus hoje, não é mais uma construção, é a igreja. Não é um prédio, são pessoas que foram salvas e se reúnem ao Nome do Senhor Jesus (Mt 18:20; I Tm 3:15, etc). Isso nos lembra que somos responsáveis pela maneira como cuidamos e nos comportamos como igreja do Senhor. Precisamos tomar cuidado para não agir na igreja de Deus como os filhos de Eli agiram no Tabernáculo. A atitude dos filhos de Eli em relação ao lugar onde Deus habitava trouxe juízo sobre eles mesmos, e a nossa atitude em relação à igreja de Deus hoje pode nos trazer muitos danos (I Co 3:16, 17). Tomemos cuidado! Desviamos o verdadeiro sentido da habitação do Senhor quando o ambiente onde reunimos não é caracterizado pela reverência e santo temor diante de Deus (Hb 12:28). O ambiente numa igreja torna-se ruim quando os mais novos não respeitam os anciãos, tratando-os como se fossem antiquados e não se sujeitando a eles (I Pe 5:5). É lamentável quando o ambiente duma igreja é caracterizado por insubordinação, queixas, pelejas, orgulhos, divisões, etc. Sem a influência de fora, nossa carne já tem a tendência de desobedecer a Deus, quanto mais se o ambiente na igreja for favorável a ela. Irmãos, qual é o tipo de ambiente que temos contribuído para que seja criado na igreja onde reunimos? Será que quando nos reunimos o ambiente da igreja é favorável à reverência e adoração a Deus? Quando um incrédulo assenta-se para assistir a reunião ele pode sair “publicando que Deus está verdadeiramente entre vós” (I Co 14:25)? Ou por causa do ambiente que foi criado “os homens desprezam a oferta do Senhor” (I Sm 2:17)? Que possa haver, nos nossos dias, homens e mulheres, tanto jovens quanto anciãos, que sejam reverentes e sinceros para dizer: “Senhor, neste ambiente, teu servo ouve”! |
Teu Servo Ouve - Parte I
