| Teu Servo Ouve - Parte III |
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| Autoria / Fonte: Adriano Anthero |
| Ter, 31 de Março de 2009 21:36 |
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Após o ambiente e a ocasião, agora veremos as palavras, propriamente ditas, que Samuel usou. O terceiro e último artigo da série. Teu Servo Ouve (3)As Palavras (propriamente ditas)Tendo considerado o ambiente e a ocasião em que Samuel falou, pela primeira vez, com o Senhor, cabe-nos, agora, estudar as palavras “Teu servo ouve” que ele usou. Cada uma delas lembra um princípio importante que serve como lição. Vamos a elas. “Teu” (possessão)Aqui temos o princípio de possessão. Esta palavra “teu” é um pronome possessivo que trás consigo a idéia de uma propriedade que pertence a alguém. Uma das definições que o dicionário português dá a esta palavra é: “Aquilo que pertence à pessoa a quem se fala”. Ao citar essa palavra, Samuel estava indicando quem era o legítimo Dono da sua vida. Ele era uma propriedade que pertencia ao Senhor, com Quem estava falando. Mesmo antes do seu nascimento, sua mãe, sendo ainda estéril, já o havia dado ao Senhor (I Sm 1:11). Quando o menino nasceu, ela não se esqueceu da promessa que fizera. Ao contrário, ela se lembrou que o seu filho não era sua propriedade e “por isso”, diz Ana, “também ao Senhor eu o entreguei, por todos os dias que viver” (I Sm 1:28). E Samuel, por sua vez, viveu sabendo que era possessão do Senhor. Ele testemunhou isso tão bem que “todo Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado por profeta do Senhor” (I Sm 3:20). Assim como Samuel, não pertencemos a nós mesmos; somos possessão de Deus. Por um direito de criação, todos são do Senhor, seja a Terra com a sua plenitude ou o Mundo com aqueles que nele habitam (Sl 24:1), porque Ele é o Criador de tudo e de todos. Mas por direito de redenção, somente nós, os salvos, pertencemos ao Senhor, porque fomos comprados por Ele. Paulo diz: “não sois de vós mesmos … porque fostes comprados por bom preço”, e conclui dizendo do nosso corpo e espírito “os quais pertencem a Deus” (I Co 6:19,20). Pertencemos a Deus porque fomos comprados. A lembrança deste fato deve nos fazer glorificar a Deus no corpo e no espírito. Não foi com coisas corruptíveis como prata ou ouro que fomos resgatados da nossa vã maneira de viver, mas sim, “com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (I Pe 1:18). A lembrança deste fato deve nos fazer andar em temor (v.17). Se vivemos ao nosso bel prazer, como se fôssemos nossos próprios donos, então já não estamos vivendo condizentes com a verdade que dita: “Não sois de vós mesmos”! Se é notável que Samuel pertencesse ao Senhor, é lamentável que os filhos de Eli pertenciam ao pecado. Estes homens eram “filhos de Belial” ( I Sm 2:12). Sempre que alguém na Bíblia é associado ao nome “Belial”, ele é visto como sendo ou fazendo algo que contraria a vontade de Deus. Veja, por exemplo, Provérbios 6:12-15, onde há sete características do “homem de Belial”, sendo o seu fim inevitável (v. 15). Os filhos de Eli chegaram a um ponto tão baixo de pecado que não só foram identificados como filhos de Belial, mas se tornaram abomináveis diante de Deus (I Sm 3:13). Eles já não eram capazes de agir sem a influência do pecado, “por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia …” (Rm 1:24). Quase podemos emprestar as palavras de Ef 2:2, 3 e dizer que os filhos de Eli estavam “andando segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar … fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (Ef 2:2, 3). À semelhança dos filhos de Eli, aqueles que não pertencem a Deus estão mostrando cada vez mais a quem pertencem—ao pecado. A filosofia mundana é que o pecado proporciona liberdade. Ou seja, pode-se fazer o que quiser, sem se preocupar em dar satisfação dos seus atos. A verdade, porém, é exatamente o oposto. Ao contrário de proporcionar liberdade, o pecado, na verdade, escraviza. Aqueles que se entregam a ele se tornam “servos do pecado” (Rm 6:20). Quando os judeus disseram: “Nunca servimos a ninguém”, o Senhor os corrigiu: “Todo aquele que comete pecado é servo do pecado” (Jo 8:33, 34). A palavra “servo”, aqui, significa “escravo”, indicando que os pecadores são possessões que pertencem ao pecado. O pecado os atrai a uma falsa liberdade como os falsos mestres que Pedro menciona, “prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção” (II Pe 2:19). De fato, a liberdade do mundo é a verdadeira escravidão! “Servo” (submissão)Nesta segunda palavra do nosso texto, está contido outro princípio importante. Aqui somos ensinados sobre a submissão que deve caracterizar todo verdadeiro servo de Deus. Ao citar essa palavra, Samuel nos indica qual era o comportamento que regia a sua vida. Uma leitura mesmo superficial dos três primeiros capítulos de I Samuel mostrará que, em sua juventude, ele “servia ao Senhor”(I Sm 3:1). É importante notar que não lemos de qualquer desvio de Samuel em sua fase de mocidade, ao contrário, lemos muito a respeito de sua comunhão e crescimento perante o Senhor ( I Sm 2:21, 26; 3:19). Sua fidelidade no serviço que prestava pôde ser atestada muitos anos depois quando ele, já de muita idade, lembra como andava no meio do povo (I Sm 12:2-5). Ninguém podia acusá-lo de infidelidade! Em contrapartida, os filhos de Eli eram caracterizados por insubmissão às autoridades. Tais homens, quando foram repreendidos por seu pai (uma autoridade constituída por Deus) deram uma demonstração do que é ser um jovem entregue a si mesmo (Pv 29:15). A maneira como reagiram aos apelos de seu pai foi: “Mas não ouviram a voz de seu pai” (I Sm 2:25). Vivemos em tempos em que os pensamentos são semelhantes aos de Hofni e Finéias, filhos de Eli. Realmente este mundo vai de mal a pior. Uma das mensagens popularizadas pela sociedade hoje é a liberdade que os jovens devem ter para assumir suas próprias vontades, não tendo que dar satisfações a ninguém. É comum rapazes e moças se sentirem no direito de ser donos de si mesmos, tornando-se “aborrecedores de Deus … desobedientes aos pais e às mães” (Rm 1:30). Não nos surpreende, porém, que isso aconteça, pois já havia sido dito que “nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos … porque haverá homens amantes de si mesmos … desobedientes a pais e mães … mais amigos dos deleites do que amigos de Deus” (II Tm 3:1-5). A ordem para nós, no entanto, é clara e pessoal: “Destes afasta-te”! O fato das pessoas estarem tão longe de ser submissas a Deus não serve como desculpa para também nos envolvermos no mesmo erro. Samuel é um exemplo de que “o pecado que tão de perto nos rodeia” (Hb 12:1) não deve nos afastar da verdadeira posição em que nos encontramos—servos de Deus. É muito importante notar que o vocábulo “servo”, aqui (I Sm 3:10), significa “escravo”. Ou seja, Samuel não era simplesmente alguém que estava ouvindo o que seria do futuro da casa de Eli. Ele estava se pondo diante de Deus como um escravo que, apesar da sua indignidade, ouviria as próprias palavras do seu Senhor. Nesta ocasião, Deus estava revelando ao Seu escravo algo mais a respeito da Sua Pessoa, além de lhe mostrar o que seria do futuro sacerdócio em Siló. Lemos de um caso semelhante em Ap 1:1, onde a palavra “servos” realmente significa “escravos”. O que nos ensina que o livro do Apocalipse é uma “revelação de Jesus Cristo … para mostrar aos Seus escravos as coisas que brevemente devem acontecer”. Não somos capazes de calcular o nosso privilégio diante do nosso Senhor. Bem sabemos que “o servo não sabe o que faz o seu senhor” (Jo 15:15), mas nós somos servos agraciados, pois o nosso Senhor não nos tem ocultado o que Ele faz . Que grande privilégio o nosso, sermos servos de um Senhor que nos revela tudo! Nós, como escravos do Senhor, podemos dizer com convicção e alegria: “Eu amo a meu Senhor … não quero sair forro” (Ex 21:5). Como é agradável ser escravo de Deus! De fato, a escravidão de Deus é a verdadeira liberdade! “Ouve” (prontidão)O verbo “ouve”, aqui, não só transmite a idéia de alguém que está atento, mas também sugere outro princípio, o de alguém que está pronto a atender. Numa nota de rodapé, a Bíblia Anotada diz que esta palavra aqui significa “ouvir com o propósito de obedecer”. Com ela a figura do escravo fica completa. Um verdadeiro servo é aquele que não se mede além do que deveras é—um escravo (numa posição muito honrada); é aquele que se porta de modo condizente com sua posição—é submisso (às ordens do seu Senhor); é aquele que se mostra pronto a cumprir — ouve para obedecer (com fidelidade) a vontade do seu Senhor. Quanto a Eli e sua casa, não se portaram como servos que ouvem. As palavras do Senhor a Isaías servem muito bem aqui: “Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis…” (Is 6:9). Eli teve a oportunidade de ouvir duas vezes a sentença para o seu futuro e de sua casa. Deus lhe avisou por intermédio do “homem de Deus” ( I Sm 2:27-36) e por meio do jovem Samuel (3:11-14). Isto é uma prova de que “Deus fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso” (Jó 33:14). Apesar da falta de prontidão em atender da parte dos sacerdotes, percebe-se alguém que, a despeito da idade — “sendo ainda jovem” (I Sm 2:18) ) — e da hora — “estando também Samuel já deitado” (I Sm 3:3) — responde com exemplar prontidão: “Eis-me aqui”!Provavelmente Samuel havia servido no templo o dia inteiro, e agora, quando finalmente podia deitar e descansar, ele “correu a Eli”. Isso aconteceu por três vezes, sendo que na quarta ele permaneceu onde estava. Qualquer um de nós teria se mostrado indisposto a levantar se, depois da segunda vez, alguém continuasse chamando. Ainda mais depois de um dia inteiro de trabalho. Mas um verdadeiro servo é aquele que ouve e corre até a “Voz” divina que o chama. Deus revelou a Sua vontade àquele que não mediu esforços para cumpri-la. Não é diferente hoje também. O Senhor revela a Sua vontade aos servos que se comprometem a obedecê-la. Normalmente pedimos a Deus que nos guie na vida, mas Davi numa de suas orações, antes de pedir a Deus que Seu Espírito o guiasse “por terra plana”, pediu: “Ensina-me a fazer a Tua vontade, pois és o meu Deus” (Sl 143:10). Que a nossa oração mostre nossa prontidão em fazer a vontade de Deus como a de Paulo: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 9:6). Além disso, precisamos lembrar que Samuel estava dando ouvidos à Voz divina, e não aos “clamores vãos e profanos” (I Tm 6:20) dos homens de sua época. Pedro, Tiago e João, no monte da transfiguração, ouviram a ordem de Deus: “Escutai-O” (Cristo). Pedro, dando o seu testemunho deste ocorrido diz: “E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com Ele no monte santo” (II Pe 1:18). Mais do que nunca há grande necessidade que deixemos de ouvir as muitas vozes ao nosso redor, e até mesmo a voz da nossa vontade própria e ouçamos, pela Palavra escrita de Deus, “esta voz dirigida do céu”! ConclusãoSempre que nos lembrarmos quem somos (propriedades compradas por preço de sangue), formos submissos (como um escravo que ama o seu Senhor) e tivermos disposição voluntária (com uma prontidão que seja exemplo aos demais), provaremos ser servos dAquele que Deus diz: “Eis aqui o Meu Servo, a Quem Sustenho, o Meu Eleito, em Quem se compraz a Minha alma” (Is 42:1). Que sejamos parecidos com Cristo, o Servo de Jeová! |
Teu Servo Ouve - Parte III
