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Quero Ser Um Homem de Deus - Parte II Imprimir E-mail
Autoria / Fonte: Adriano Anthero   
Seg, 20 de Outubro de 2008 20:00

O que segue é a segunda parte da série de histórias para crianças“Quero ser um homem de Deus”, uma continuação do “primeiro dia de aula”. Se você ainda não leu a primeira parte, sugiro que a leia antes desta.

Quero ser um homem de Deus (II)

(Leitura: II Tm 3:15-17)

Depois da aula

Aquela tinha sido uma aula diferente para todos, tanto para os alunos quanto para a professora Cláudia Santos. Foi a primeira vez que ouviram falar sobre ser um homem de Deus. Todos disseram que queriam ouvir mais, pois se interessaram muito pelo assunto. Mas enquanto os alunos terminavam de arrumar as mochilas para ir embora, Álvaro percebeu que um colega de classe parou atrás dele. Meio sem jeito, Álvaro disse “olá”. Enquanto isso o aluno, mais sem jeito ainda, respondeu com uma voz bem tímida: “Oi … Eu… Eu … Ah, deixa pra lá”, e saiu de perto de Álvaro. “Ei, espere aí, pode falar”, disse Álvaro. “Não precisa ficar acanhado. Se eu puder te ajudar em alguma coisa …”

Sem se darem conta que estavam sozinhos (todos os outros alunos e a professora já tinham saído), os dois sentaram-se para conversar. O rapaz começou se apresentando: “Bem … meu nome é Rafael. Eu me sento naquela cadeira ali (ele apontou para uma cadeira bem lá no fundo da sala).” Apesar de fazer um grande esforço, Álvaro não conseguia se lembrar do rapaz na aula. “Olha, me desculpe, mas eu não me lembro de ter visto você hoje. Deve ser porque é o meu primeiro dia de aula”. “Não, não! É que eu sempre me escondo mesmo. Mas quando os alunos apresentavam as profissões que queriam seguir, eu também apresentei meu trabalho na frente da classe, você não lembra?” Num rápido instante Álvaro conseguiu lembrar-se de Rafael na aula. “É mesmo”, disse ele, “agora me lembrei. Você é aquele aluno que disse que queria ser escritor, não é?” “Sim, sou eu mesmo”, respondeu Rafael. “Você quer ser escritor porque gosta de escrever, Rafael?” “Na verdade, quero ser escritor por várias razões. Primeiro, é porque gosto muito de ler e escrever. Quando estou lendo ou escrevendo alguma coisa, o tempo passa sem que eu veja. Além disso, escrever é uma maneira que adotei para me expressar. Você já deve ter notado que sou meio tímido, não é?” “Sim, percebi, sim, Rafael. Quando você fala, parece que a sua voz treme”. Depois do comentário de Álvaro, Rafael continuou sua explicação: “Quando estou falando, principalmente em público, como na aula hoje, fico muito envergonhado; mas quando escrevo, fico bem à vontade.” “Entendo você, Rafael”. “Não deve ser fácil pra você. Mas não precisa ficar envergonhado ao falar comigo. Pode conversar à vontade.”

Se sentindo mais tranquilo, Rafael começou a explicar o que queria com Álvaro. “Sabe, Álvaro, fiquei bem impressionado com as coisas que você falou hoje na aula. Eu nunca ouvi falar sobre ser um homem de Deus. Estas coisas são muito estranhas pra mim, mas eu gostaria de ouvir mais sobre isso, se você puder me explicar, é claro!” “Posso sim, Rafael. Será um prazer contar a você outras coisas sobre ser um homem de Deus. Confesso que estou admirado com a sua atitude. São poucas as pessoas que se interessam por saber sobre esse assunto. Que bom que você está interessado!”

Mesmo ali assentados, Álvaro abriu a mochila e, para surpresa de Rafael, tirou de dentro dela uma Bíblia e perguntou: “Você sabe que Livro é este, Rafael?” “Ah, sim, sei sim. É uma Bíblia. Já vi algumas destas na biblioteca da Escola. Até usamos uma quando fizemos pesquisas para a aula de Ensino Religioso”. Percebendo que não precisaria explicar que livro era aquele, Álvaro prosseguiu. “Então, tudo o que você quer saber e tudo que eu posso explicar sobre um homem de Deus está escrito aqui. A Bíblia não é somente mais um livro antigo que conta histórias que aconteceram há muitos anos; ela é mais do que isto, é a Palavra de Deus. É ela quem mostra ao homem de Deus como deve ser o modo de viver dele, em Quem ele deve crer, como ele pode ser útil à obra de Deus, e muito mais.”

Com ar de surpresa, e juntando as sobrancelhas, Rafael ficou olhando para Álvaro enquanto ele explicava. No meio da explicação, porém, ele interrompeu com algumas perguntas: “Mas vocês não seguem nenhum outro livro que diz como um homem de Deus deve ser? Vocês confiam somente neste livro?” “Sim, somente neste Livro”, respondeu Álvaro. Rafael estava com mais dúvidas ainda. “Mas … Mas … Me desculpe, Álvaro, não é que eu queira duvidar de você, mas é que este livro, a Bíblia, foi escrito há tantos anos! Como você pode segui-lo hoje se vivemos numa época tão moderna, tão avançada? Os nossos dias são bem diferentes daqueles em que a Bíblia foi escrita e … sabe … tem outra coisa. Uma vez eu estava lendo um livro, e nele dizia que a Bíblia, assim como qualquer outro livro, foi escrita por pessoas comuns como nós. Além disso, seus escritores eram pessoas de outra cultura. Como pode a Bíblia ser útil para as pessoas aqui no Brasil, que é uma cultura completamente diferente?”

Antes de responder a estas perguntas, Álvaro abriu a Bíblia e começou a ler algumas palavras que estavam escritas: Toda Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra. “Estas palavras que acabei de ler, Rafael, estão escritas na Bíblia. Elas foram ditas a Timóteo, um dos homens que foram chamados de homem de Deus. Repare com cuidado cada expressão que é dita aqui. 'Toda a Escritura é divinamente inspirada'. Isto quer dizer que a Bíblia não é um livro de homens, escrito de acordo com a vontade dos homens. A Bíblia foi divinamente inspirada. Ou seja, Deus foi soprando aos homens as coisas que Ele queria que estivessem escritas na Bíblia. É verdade, Rafael, que Deus usou homens comuns, como nós somos, mas estes homens não escreveram o que queriam; escreveram aquilo que Deus os guiou para escrever.

“Mas não é somente isso. Repare também que estes versículos dizem que a Bíblia é proveitosa para ensinar, corrigir, instruir, enfim, é útil para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente capacitado a realizar toda boa obra. Mesmo que a Bíblia tenha sido escrita há tantos anos, ela é suficiente para ensinar ainda hoje. É verdade que ela foi escrita no meio de culturas bem diferentes da que vivemos aqui no Brasil, mas tudo o que precisamos saber e aprender sobre nosso comportamento aqui está escrito nela. É tão suficiente que a vida do homem de Deus é dirigida por ela!”

Todas aquelas coisas eram estranhas e interessantes para Rafael. Ele queria saber de cada detalhe, e parecia que tinha uma pergunta para cada explicação de Álvaro. Havia muita coisa que ele queria saber, e cada vez mais sua curiosidade ia aumentando.

“Na Bíblia também fala como foi que os homens se tornaram homens de Deus, Álvaro? Eles tiveram que fazer muita coisa?” Ele perguntava. “Já que a Bíblia é a Palavra de Deus, e é tão útil hoje, ela também diz como uma pessoa pode se tornar um homem de Deus?” “Sim, diz sim, Rafael. Lembra que na aula eu falei o nome de alguns homens que são chamados de homem de Deus?” (Rafael balançou a cabeça dizendo sim) “Então, um deles é Timóteo. Quando ele era criança, aprendeu muita coisa sobre a Bíblia. O pai dele não era um homem salvo, mas a mãe e avó eram. A Bíblia não diz exatamente quando foi que Timóteo se converteu a Deus, mas pode ter sido numa ocasião em que dois grandes homens de Deus, Paulo e Barnabé, foram até a cidade onde Timóteo morava, chamada Listra, e pregaram o Evangelho. Algum tempo depois, Paulo, junto com Silas, outro homem de Deus, foi novamente à Listra, cidade em que Timóteo morava, e os irmãos que moravam lá e outros de outro lugar, disseram para Paulo como a vida de Timóteo era exemplar. Paulo não teve dúvidas, quis que Timóteo fosse com ele para servir a Deus. Não deve ter sido fácil para os pais de Timóteo deixá-lo ir, mas ele iria fazer o melhor dos serviços — ser um homem de Deus. Eles trabalharam juntos por muito anos, e foi para Timóteo que Paulo escreveu duas das suas cartas. Foi numa delas que li as palavras da Bíblia pra você. Está na Segunda carta a Timóteo, no capítulo 3 e versículos 16 e 17.

Depois da explicação, Rafael ficou de cabeça baixa por um bom tempo. Parecia que ele queria dizer alguma coisa mas não sabia como. Para quebrar o silêncio, Álvaro chamou a atenção do colega: “Você parece meio triste, Rafael. O que foi, não conseguiu entender o que expliquei sobre a Bíblia?” “Não é isso, Álvaro, estou pensando em outra coisa. Lembra que eu falei que um dia usamos a Bíblia para fazer um trabalho de aula?” (Álvaro balançou a cabeça para dizer sim). “Então, como gosto de ler, eu aproveitei um intervalo que fizemos e comecei a folhear a Bíblia que estávamos usando. Enquanto eu lia uma coisa aqui outra ali, encontrei uma parte que falava sobre receber perdão. Um homem de Deus também precisa ser perdoado por Deus?”

Ajeitando-se na cadeira, Álvaro explicou: “Veja bem, Rafael, ninguém se torna um homem de Deus da noite para o dia. A primeira coisa que alguém precisa fazer para se tornar um homem de Deus, é ter o perdão dos seus pecados. Se algum dia você quiser ser um homem de Deus, primeiro seus pecados precisam ser perdoados.” Neste instante Rafael assustou-se: “Mas Álvaro, que pecados eu tenho para ser perdoados? Eu nunca matei ninguém, não roubo coisas das pessoas, não fico brigando na Escola … você viu o jeito que eu sou. Fico na minha, bem lá no canto da sala, sem incomodar ninguém!” “Não Rafael. Pecado não é somente matar, roubar, brigar, estas coisas. Você não é um pecador porque faz isso; você faz isso porque é um pecador. Sei que é difícil entender, mas você já era um pecador mesmo antes de nascer. Antes que você tivesse aprendido a fazer qualquer coisa, ou até mesmo andar ou falar, você já era um pecador. E a Bíblia diz que é o pecado que nos separa de Deus, como em Isaías 59:2: Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós, para que não vos ouça”. Pode parecer estranho para você ouvir isso, mas você não pode ser um homem de Deus enquanto não se arrepender e crer no Senhor Jesus. Assim como Timóteo teve que primeiro receber o Senhor Jesus para ser perdoado e depois se tornar um homem de Deus, você também precisa fazer a mesma coisa. Depois que Timóteo foi salvo, ele começou a servir a Deus e se tornou um grande homem de Deus.”

Com uma voz baixa e meio tímida, Rafael fez um breve comentário: “É … eu nunca tinha ouvido estas coisas. Eu sempre pensei que pecadores fossem somente pessoas que fazem maldades grandes. Acho que estou começando a entender que eu também sou pecador.” Álvaro novamente abriu a mochila e tirou de dentro um pequeno papel dobrado e, estendendo o papel para o colega, disse: “Tome Rafael, isto é um folheto. Ele explica algumas outras coisas sobre o perdão dos pecados. Leve para casa e leia. Se tiver alguma dúvida, amanhã a gente conversa, no intervalo da aula. Mas lembre-se, Deus pode fazer de você um homem de Deus, mas primeiro você precisa ser perdoado por Ele.”

Nem mesmo tinham acabado a conversa quando D. Simone Dias, a inspetora da escola, entrou na sala e tomou um grande susto: “O que vocês estão fazendo aqui dentro? Não sabem que depois da aula nenhum aluno pode ficar dentro da sala? Todas as portas têm que ser trancadas, e vocês não podem ficar conversando aqui dentro.” Álvaro e Rafael pediram desculpas e saíram, enquanto D. Cláudia trancava a porta.

Depois de um aperto de mão e um abraço, os dois se despediram e cada um foi para sua casa. Aqueles poucos minutos de conversa tinham sido, na verdade, o início de uma preciosa amizade que mudaria a vida de Rafael.

A. J. Anthero